By Johamy Santiago Rosario
É domingo. Outra manhã ensolarada. O riso das crianças nos balanços chega ao longe. Seus gritos não parecem incomodar ninguém, exceto o homem sentado numa cadeira, lendo um livro. Hoje é seu dia de folga. Lembra-se dos trabalhos por corrigir. O escândalo do mundo o impede de avançar na leitura e mal consegue se concentrar. Amaldiçoa as crianças. E também os pais. Suspira, fecha o livro e se levanta da cadeira.
O ar começa a refrescar, embora o calor insista em colar-lhe a camisa nas costas. Ainda assim, o homem tem vontade de tomar um café. Sem pensar duas vezes, vai até o café do parque para se permitir uma pausa.
O burburinho de vozes e música dentro do lugar o obriga a procurar refúgio no mais afastado da agitação. Senta-se e pede um café. Já faz uma semana desde o nascimento de sua filha. Lembrar-se do seu rosto é como olhar para o céu sem óculos de sol. Tenta compor os traços da menina enquanto leva a xícara à boca. A decisão de entregá-la para adoção, às vezes, o atormenta.
Comprou aquele café com o dinheiro que ganhou apostando em cavalos no mesmo dia em que ela nasceu. A menina me abençoou—disse para si mesmo. Foi uma das raras vezes em que saiu do hipódromo com os bolsos cheios.
Distraiu-se com o reflexo de seu rosto no fundo da xícara. Toma outro gole. Pelo menos tenho o café—repetiu em silêncio.
O homem deixa duas moedas de gorjeta e sai. Busca fugir do barulho. Mas as criançasgritam. Os pais observam. O café queima o céu da sua boca.
¿Qué dijo el jurado?
Este microcuento nos ofrece un tono casual y perturbador de la figura incapaz de amar, del hombre que resiente la presencia del prójimo en un lugar público; su tranquilidad, su paz, depende del silencio que pretende de otros, especialmente de niños. Es una misantropía sutil, no hay enfrentamiento, solo abandono de lugar procurándose desvío, distracción y abstracción a través del café. Es la condena —la cadena perpetua del que no sabe, ni pretende conectar, ni casual ni afectivamente. Su mundo egocéntrico depende de imposibles condiciones de aislamiento; termina maldiciendo el acto, la mera presencia, las voces y goces del otro. Asoma un momento de humanidad y lamentación, inmediatamente disuelto por el recuerdo de la ganancia, entendida como un beneplácito más causal que casual. El microcuento deja un agrio after taste, ¿qué tipo de hombre es este, tan amargamente transaccional, tan mezquino, tan solo?
Por estos méritos, el jurado otorga el primer lugar al microcuento Rostro no fundo da xícara, de la autoría de Johamy Santiago Rosario.
Jurado: Prof. José Rivera González y Profa. Bernice Rivera Berrocal
Este texto resultó ganador del primer lugar en la categoría Microcuento en Lengua Extranjera del Cuarto Certamen Literario (2026) del Centro de Idiomas y Educación General de la Universidad del Sagrado Corazón.
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